RES PÚBLICA, TERRITÓRIO DE
UMA MEMÓRIA SINGULAR
Maurício Fridman-Rubinstein



A série res-pública que Maurício
Fridman vem desenvolvendo com restos achados pelas ruas
são índices da relação que esse
arquiteto tem com a cidade. Não deixar nada escapar
ao olhar, nem o lixo com o qual já nos acostumamos.
Num gesto similar ao de Kurt Schwitters - arquiteto da Merzbau
- Fridman dá destino nobre ao lixo que hoje é
parte da cidade grande: papéis amassados, trapos
sujos, restos descartados de todos os tipos. As colagens
de Fridman não escondem o passado desses materiais:
simplesmente os separam da cidade e os isolam em um campo
escuro, que então assume ares de lâmina de
laboratório, exibindo um espécime do meio-ambiente
urbano, Impressiona a persitência da coleta, com se
Fridman quisesse catalogar todo o lixo das ruas de São
Paulo. Trabalho de Sísifo, obsessão de colecionador
de borboletas. Borboletas da cidade cinza.
Por: Paula Braga - historiadora de arte
www.mcne.com.br/metropolememoria



Toco de cigarro, papel alumínio
amassado
pedaço de papel atirado, lata de refrigerante
transeuntes indiferentes, desiludidos com a cidade.
A noite chega, finalmente a paz.
Bem cedo, no dia seguinte, um homem sai
de sua casa.
Lentamente, com olhar atento, recolhe os objetos descartados.
Cada objeto adquire forma própria, desde o momento
em que foi deixado ali, ao relento.
Transformou-se com a chuva, com o sol com a pisadas e os
empurrões.
Ao compor um quadro com estes objetos, Maurício valoriza
a aão de forças estranhas e anônimas.
O mundo inteiro faz parte da sua obra - pessoas desconhecidas,
momentos fugazel, a natureza.
Maurício recolhe a indiferença e o abandono,
a brutalidade.
Devolve-nos a delicadeza, o cuidado, o brilho e o asseio,
a pureza estética.
Por Lila Esther D'Alessandro - arquiteta urbanista e artista
plástica.

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